As imagens do terremoto e do tsunami na região nordeste do Japão mostram situações dramáticas extremas. Depoimentos de sobreviventes externam duas experiências humanas conflitantes: desespero e esperança. O desespero aqui expressa a fragilidade humana diante da ameaça à sobrevivência e da exposição a perigos extremos. A esperança, esse sentimento humano que impulsiona a vida, parece desmoronar.
Mesmo as pessoas que confiam em Deus e que são persistentes em sua fé estão sujeitas a passarem por situações que as deixam, momentaneamente ou não, sem esperança. Caem no desespero.
Desespero. Essa é uma daquelas palavras cujo significado parece tão evidente que não precisa de muita explicação. Mas, mesmo assim, vamos lá, o que é o desespero? Naturalmente que o desespero é o contrário de esperança. Desespero é a sensação de que aquilo que mais desejamos não acontecerá.
Todavia, é mais comum pensarmos no desespero como uma situação que representa perigo e da qual, aparentemente, não vemos saída. “Estou desesperado com os problemas que atingiram meu filho... não vejo soluções...”, exclama o pobre pai ao saber do persistente uso de drogas pelo filho mais novo. O desespero, então, assume a forma de certo sentimento de fracasso, devido ou não, por julgar-se culpado pela condição do filho.
Há também o desespero religioso: as orações não atendidas, segundo expectativas pessoais, podem levar à perda desse sólido fundamento para a existência humana que é a confiança na Graça de Deus.
O desespero torna-se assim uma maneira pela qual nós humanos expressamos nossas limitações. Neste sentido, é saudável e libertador fazermos essa confissão ao invés de negar essa dolorosa experiência. Miremos na experiência de Jesus: à confissão de sentimento de abandono em “Deus meu, por que me desamparaste” (Mateus 27. 46) seguiu-se o clamor que vence o desespero: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!” (Lucas 23. 46).
(Adaptado de SATHLER-ROSA, Ronaldo. “Quando me abate a esperança”: o desespero. IN: LEITE, Nelson Luiz Campos; MIGUEL, Adipe Jr; MIGUEL, Sylvia Regina de Mattos. (Eds.). 365 dias com Deus. São Paulo: Editora Cedro, 2010.)
