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"O cuidar é universalmente humano. Ninguém pode cuidar de si mesmo em todas as situações. Ninguém pode, até mesmo, falar a si próprio sem que lhe tivesse sido falado por outrem" (Paul Tillich).


1 de abril de 2011

A EXPERIÊNCIA DO SOFRIMENTO E DO MORRER

José Alencar, falecido esta semana, ex-vice-presidente da República do Brasil, dizia-se triste porque somente uns poucos, inclusive ele mesmo, é que têm acesso aos melhores tratamentos de saúde. A imensa maioria da população tem dificuldade de socorrer-se até do SUS (Sistema Único de Saúde), considerado, em teoria, um dos mais aperfeiçoados sistemas de atendimento à saúde.

Todos sofrem, mas, alguns sofrem mais do que outros.

Recorro a Leonardo Boff para refletir sobre essa experiência humana universal.

Não conseguimos tratar, através de racionalizações, dos perenes temas do sofrimento e da morte. Pensamos neles por meio de narrativas.

Desde Jó, personagem bíblico exemplar, as tentativas humanas para explicar o sofrimento têm sido um fracasso. O sofrimento escapa à possibilidade de explicação convincente por parte das ciências ou das religiões. Convive conosco para ser enfrentado e combatido dentro dos limites da contingência humana.

Pessoas de fé que afirmam sua confiança em um Deus que cuida de sua Criação são capazes de transformar sua fé em coragem e encontram um sentido para a dor.

Não obstante, a questão que se impõe é sobre as condições geradoras do mal causador do sofrimento. Há sofrimentos que podem ser evitados ou atenuados. Porém, a própria condição humana de ser criatura impõe, por si só, limites às aspirações e a todos os desejos humanos.

De certa forma nossa existência é precária e somos fadados à decadência: nascemos, crescemos, adoecemos, morremos... Afinal o mundo e nós não somos Deus! Mesmo a Criação é limitada, condicionada, dependente, distante e diferente de Deus. Nossas limitações são vividas conscientemente em nossa existência presente.

A finitude da consciência humana só é sentida na experiência do Infinito. Essa defasagem é, essencialmente, fonte de dor e sofrimento. Entretanto, é marca, ao mesmo tempo, de nossa dignidade enquanto criatura e de nossa humanidade. Assim, o sofrimento expressa o caráter passageiro do mundo e se abre para o Absoluto. O sofrer, em certo sentido, antevê a morte como caminho para estar com o Infinito.

O sofrimento é parte de nossa jornada humana. Entretanto, podemos abrir caminhos novos para que os sofrimentos desnecessários sejam eliminados.

Dorothee Söelle, teóloga alemã, lembra que o grande pecado dos seres humanos é poder mudar e não mudar. Quando se despreza a importância da abolição de determinadas formas de sofrimento que violentam a humanidade participamos, lamentavelmente, na “manutenção lucrativa das condições responsáveis por esses sofrimentos”.

Referências:

BOFF, L. Sufrimiento. IN: FLORISTAN, C.; TAMAYO, J.J. Conceptos fundamentales de pastoral. Madrid: Cristiandad, 1983.

SÖLLE, D. Suffering. Philadelphia: Fortress, 1975.

Ronaldo Sathler-Rosa

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