31 de maio de 2011
AÇÕES DE CUIDADO: CRIAR ELOS ENTRE GENTE
Postado por
Ronaldo Sathler-Rosa
Embora a palavra “pastoral” seja entendida, geralmente, como referência às atividades de certa pessoa chamada de pastor ou pastora, o seu significado histórico é mais amplo. Por exemplo, o Novo Testamento afirma o caráter pastoral da igreja: isto é, todos os membros deveriam preocupar-se e cuidar uns dos outros, suportar “uns aos outros em amor” (Efésios 4.2) e apoiar-se mutuamente em situações difíceis, no amadurecimento da fé e na participação na história.
O Corpo de Cristo (Efésios 4. 12), alusão bíblica à igreja, é, então, considerado pastoral em seus próprios fundamentos e condições de missão. Portanto, extraímos desse texto das Escrituras um modelo de cuidado pastoral que podemos chamar de comunal: o cuidado pastoral é tarefa comum a todos: todos se cuidam, recebem cuidados e cuidam de outros. Pastores e pastoras exercem, obviamente, seus ofícios de cuidar, além de outros, como membros do Corpo. Entre suas funções, além de participar juntamente com a comunidade de fé, destacam-se as tarefas de motivar os fiéis e coordenar a capacitação de todos.
Esse modelo comunal nos traz uma compreensão ao mesmo tempo antiga e nova de cuidado pastoral. É antiga porque se baseia nas tradicionais representações bíblicas de um Deus que cuida e que reúne homens e mulheres em uma comunidade que celebra esse cuidado, e o estende a outros.
É novo porque enfatiza a comunidade cuidadora e os diversos contextos de cuidado ao invés de focalizar o cuidado pastoral, exclusivamente, na pessoa de uma pastora ou pastor. O cuidado pastoral exercido por meio da comunhão dos membros entre si lembra aos fiéis que, da mesma forma que a Graça Divina os ajunta, todos são vocacionados para, na intenção do cuidar, criar verdadeiros elos entre as pessoas. Não há cuidado pastoral autêntico sem relacionamentos significativos!
A palavra comunidade evoca na mente das pessoas significados diferentes. Em geral suscita sentimentos positivos. De maneira generalizada todos nós estamos ligados a algumas pessoas que, de maneira menos intensa ou mais intensa, formam um círculo do qual fazemos parte. Pode ser uma igreja, ou comunidades específicas como parte da igreja, associações de moradores e até mesmo as redes sociais. Essas interligações revelam um aspecto essencial da pessoa humana: a inviabilidade da vida, da “minha vida”, da “nossa vida” sem vínculos com outros semelhantes. “Não há um eu sem um tu!”
Esses vínculos na comunidade de fé possibilitam o surgir de estruturas espirituais, emocionais e relacionais que tornam as pessoas mais confiantes, mais esperançosas, mais felizes, mais gente.
