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"O cuidar é universalmente humano. Ninguém pode cuidar de si mesmo em todas as situações. Ninguém pode, até mesmo, falar a si próprio sem que lhe tivesse sido falado por outrem" (Paul Tillich).


4 de maio de 2011

DEPENDEMOS DE DEUS. DEUS DEPENDE DE NÓS

Conhecidos textos bíblicos como: “No princípio criou Deus os céus e a terra” e “(...) homem e mulher os criou” (Bíblia Sagrada, ERAB, Gênesis 1.1, 27) expressam a fé dos autores bíblicos de que Deus criou o mundo e a nós humanos. Essa afirmação significa que nossa existência é fruto da Criação e que nosso mundo se torna habitável pela ação criadora divina.

Criar é ato de amor. Amar implica em criar e cuidar. Cabe aos humanos cuidar da Criação, cuidar de seus semelhantes e de si mesmos: somos criados e postos no mundo para dele cuidar, conforme Gênesis 2.15.

Sendo criaturas existimos, portanto, por graça de Deus. Isso traz implicações práticas para o viver diário. Mencionamos algumas delas.

Primeiro, não temos controle absoluto sobre as coisas e a vida. Não controlamos totalmente nosso tempo de vida, nossas perspectivas de saúde. Imprevistos acontecem, cercam-nos coisas agradáveis e desagradáveis. É melhor e mais saudável, em certo sentido, “deixar a vida nos levar”.

Segundo, Jesus nos ensina a olhar “as aves do céu” que “não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo vosso Pai celeste as sustenta” (Mateus 6.26, 28). Entendemos essa passagem como um convite a tentar deixar de lado a ansiedade excessiva. A ansiedade invade a vida de muitas pessoas intensamente preocupadas com a aquisição de bens materiais, com o que comerão e como viverão no futuro. Portanto, a dependência de Deus nos ensina a “baixar” o nível de ansiedade em relação ao nosso hoje e amanhã.

Terceiro, essa dependência nos ensina a renunciar o jogo perverso da competição, da sedução das compras fáceis, muitas vezes desnecessárias e os apelos supérfluos da TV, pois não são os bens mais necessários para a vida em plenitude.

Quarto, a nossa fé em Deus Criador deve estimular-nos à busca constante pelo sentido do nosso existir. Quem somos? Por que e para que vivemos? São algumas das perguntas fundamentais que devem conduzir nosso viver no caminho do que é primeiro e mais importante: “(...) buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino [a comunhão com Deus] e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas” (Mateus 6. 33).

Mas, Deus, também, “depende” de nós! É o que veremos da próxima vez.

Ronaldo Sathler-Rosa

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