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"O cuidar é universalmente humano. Ninguém pode cuidar de si mesmo em todas as situações. Ninguém pode, até mesmo, falar a si próprio sem que lhe tivesse sido falado por outrem" (Paul Tillich).


1 de julho de 2011

CORRUPÇÃO E INDIGNAÇÃO

O livro de Amós, no Antigo Testamento, é uma denúncia contra a injustiça, a corrupção e a opressão que dominavam Israel por volta dos anos 750, antes de Cristo.

Amós sentiu-se vocacionado para profetizar contra essa situação e a apelar para que o povo, as autoridades e os religiosos pautassem suas vidas pelas leis divinas da justiça e do amor. Conclamava a que abandonassem as práticas injustas, destrutivas da vida, dos laços sociais e se orientassem pela prática do bem.

No Brasil e em outras partes do mundo há um sentimento generalizado de indignação face às constantes denúncias de corrupção, custos excessivos de obras e uso indevido do dinheiro público. Manifestações fortes, novas em suas formas, têm expressado a indignação de jovens face ao descaso pela vida humana em diversas partes do mundo.

Vários grupos e redes sociais preservam o ideal de que o exercício da atividade política seja marcado pelo genuíno interesse em promover medidas que tragam alento e esperança para todos, em particular para aquelas pessoas abandonadas em suas doenças, condenadas à passividade e sem condições mínimas de moradia. Essa situação é um atentado aos ensinamentos das Escrituras que postulam uma ordem justa para a humanidade e para o planeta.

Além do livro de Amós e outros da Bíblia (por exemplo, Romanos 13; Tito 3.1; I Timóteo 2. 1-3), mostram que o tema da vida política não está excluído da existência cristã. Não significa reduzir a missão da Igreja à política, mas, sim realçar a responsabilidade cristã de exercer a cidadania como uma das expressões da fé. É claro que não se trata de que as igrejas tentem impor suas doutrinas. Em diálogo com outras religiões podem, no entanto, encontrar uma agenda comum centrada no convívio de diferentes e no esforço comum pelo bem viver de todas as pessoas.

A fé é dom de Deus e resposta humana. A organização social, como “ordem da Criação” é, também, tarefa humana. Ordenamento social e políticas justas se fazem por meio de participação e ações de pessoas, grupos e comunidades a fim de que “vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito” (I Timóteo 2.2).

Política e fé, embora distintas, são, também, duas vocações humanas que devem ser norteadas pelo compromisso de “amar o bem” (Amós 5.15). É muito conhecida a frase do falecido pastor batista norte-americano Martin Luther King Jr.: “O que me preocupa não são os gritos dos violentos. E sim o silêncio dos bons”. Amós não se silenciou diante da corrupção e da injustiça. E nós?

Ronaldo Sathler-Rosa

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