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"O cuidar é universalmente humano. Ninguém pode cuidar de si mesmo em todas as situações. Ninguém pode, até mesmo, falar a si próprio sem que lhe tivesse sido falado por outrem" (Paul Tillich).


16 de setembro de 2011

A BUSCA POR COMUNIDADES DE CUIDADO

A palavra comunidade evoca na mente das pessoas significados diferentes. Em geral suscita sentimentos positivos. Todos nós estamos ligados a algumas pessoas que, de maneira menos intensa ou mais intensa, formam um círculo ao qual estamos conectados. Pode ser a família, uma igreja, ou grupos específicos como parte da igreja, associações de moradores e até mesmo as redes sociais. Essas interligações revelam um aspecto essencial da pessoa humana: a inviabilidade da vida, da “minha vida”, da “nossa vida” sem vínculos com outros semelhantes. “Não há um eu sem um tu!”.

Por que as pessoas são motivadas a participar de determinada comunidade e não de outro grupo ou igreja? Ana Maria, nome fictício, que freqüentava anteriormente uma igreja com numerosos membros e passou a participar de outra igreja, respondeu: porque em minha nova igreja me chamavam carinhosamente de “querida (tinha 1,50 m de altura) irmãzinha Ana”. A expressão tornou-se a senha de sua pertença àquela comunidade.

Outra pessoa, que chamaremos Pedro, contou que permaneceu na igreja de sua infância porque, quando da morte súbita de seu pai, a comunidade foi capaz de sustentá-lo emocional e espiritualmente ao transmitir-lhe o senso de que pertencia à comunidade. Tornou-se um cuidador pastoral de outros que passavam pela mesma experiência que a sua. A comunidade torna-se, então, a base para o exercício do cuidado pastoral mútuo.

Mais importante ainda: a busca por comunidade é, primeiramente, inerente aos anseios interiores do indivíduo e, secundariamente, uma manifestação externa. “Nossa vida comum, nossa verdadeira comunidade, ou o que Thomas Merton uma vez chamou nossa integridade oculta, é encontrada, originalmente, não em uma realidade externa, mas em nossa vida interior”. Comunidade, portanto, é mais do que categoria sociológica. É a busca por solidez, profundidade e auto-compreensão acerca de nossa condição de seres relacionais: com o próximo, com a história, com a natureza, com o Criador. Não há, portanto, rigorosamente, uma disciplina que nos ensine o que é comunidade além da própria experiência da participação (Palmer, em Patton, p. 22).

Entretanto, Palmer adverte contra certa idealização de comunidades. O fato de serem chamadas de cristãs não as exime de conflitos internos, de choques de personalidade e de divergências. É melhor reconhecer esse dado da condição humana do que escondê-lo ou desprezá-lo.

Referência: PATTON, John. Pastoral care in context. Louisville: Westminster/John Knox Press, 1993

Ronaldo Sathler-Rosa

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São Bernardo do Campo, São Paulo, Brazil