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"O cuidar é universalmente humano. Ninguém pode cuidar de si mesmo em todas as situações. Ninguém pode, até mesmo, falar a si próprio sem que lhe tivesse sido falado por outrem" (Paul Tillich).


31 de outubro de 2011

SERENIDADE DIANTE DA MORTE: UM CASO DE CUIDADO PASTORAL

O relato abaixo, embora expresse práticas religiosas e culturais não universalmente aceitas, tem a intenção de realçar: a importância da “educação para a morte”, ou, aceitar e lidar de maneira realista e serena face ao processo de morrer; a importância do cuidado espiritual junto ao paciente, familiares e equipe de cuidadores; a força que advém da fé diante das limitações e sofrimentos humanos.

De manhã, como de costume, o capelão foi visitar G na UTI. O paciente sofria muito com as constantes dores. G pediu para ser ungido pelo sacerdote. O capelão tomou as providências para que o desejo de G fosse atendido.

O sacerdote veio em poucos minutos e o ungiu. Sete ou oito membros de sua família permaneciam ao lado do leito. Como a dor aumentava sua esposa pediu ao médico que desligasse o aparelho que havia sido implantado em seu corpo (Dispositivo de Assistência Ventricular, DAV). O médico assim o fez.

A esposa segurava uma de suas mãos enquanto uma das filhas segurava a outra mão. Ambas conversavam, calmamente, com G. Lentamente, como se estivesse adormecendo, em poucos minutos ele começou a cerrar os olhos e parou de respirar. Em silêncio, G disse “adeus” a todos que estavam ao lado de seu leito.

G tinha 54 anos. Teve problemas cardíacos nos últimos anos. Como não era candidato a transplante o DAV foi colocado em seu estômago. De alguma forma G viveu uma “vida normal” com a ajuda do DAV. Entretanto, ele tinha que ir freqüentemente ao hospital por causa de infecção ou outras causas.

G não pensava que essa seria sua última visita ao hospital. Passados doze dias ele disse ao capelão e à família que não queria mais lutar contra sua condição. Ele queria “ir”! Ele estava preparado. G não queria continuar sofrendo. Não queria continuar com aqueles tubos pendurados em seu corpo.

G faleceu na manhã seguinte. Sua família foi preparada para sua partida por ele próprio e pelo capelão. As enfermeiras também foram preparadas pelo capelão. Cercado pela família e por seus cuidadores G deu adeus de maneira suave. Que bela maneira de ir...

(Traduzido e adaptado de Rev. Dr. Palamittam Chandy, A Beautiful Death, IN: Conference Proceedings, Rotorua, Nova Zelândia, 2011.)

Ronaldo Sathler-Rosa

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