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"O cuidar é universalmente humano. Ninguém pode cuidar de si mesmo em todas as situações. Ninguém pode, até mesmo, falar a si próprio sem que lhe tivesse sido falado por outrem" (Paul Tillich).


9 de novembro de 2011

O EXERCÍCIO DO CUIDADO JUNTO A ENLUTADOS

O luto é processo em que se busca sanar a dor pela perda de alguém ou de algo significativo. Embora seja mais comum pensar-se em situação de morte, o luto se dá, também, por outras perdas: amizades, separações, emprego, amputação física e outras. Há também o luto, não devidamente reconhecido, pelas circunstâncias sociais e culturais que agridem a aspiração humana por respeito à vida e ao meio ambiente. A capacidade humana para enfrentar e superar as perdas podem ser agilizadas pelo exercício do cuidado pastoral.

O resumo abaixo descreve cinco fases do luto por morte e métodos de cuidado que lhes correspondem. Podem aparecer outras fases. E essas podem misturar-se a outras. Enfim, a prática de campo pode mostrar a validade ou não desse modelo flexível*.

A primeira fase é aquela em que se experimenta o choque, o espanto, a negação e, ao mesmo tempo, a gradual aceitação da perda. A resposta do cuidador é o apoio pela presença e, até mesmo, ajuda prática como, por exemplo, oferecer alimento.

No segundo estágio, em geral, a pessoa ou a família começa a expressar aqueles sentimentos mais dolorosos, tais como, sensação de culpa por eventual falta de atenção à pessoa falecida; remorso; apatia; raiva; ressentimento, ansiedade; desespero; depressão; pânico; desorientação e outros. A tarefa pastoral, de pastores e pastoras ou de outra pessoa devidamente preparada, é oferecer apoio por meio do ouvir ativo para facilitar a expressão desses sentimentos. A literatura denomina essa fase em termos de catarse (purificação; expressar sentimentos esquecidos ou inconscientes).

Na fase terceira, aos poucos, a pessoa manifesta aceitação da perda. “Volta à vida” agora modificada pela ausência sentida. Recupera-se a força para tomada de decisões em face da nova realidade. Começa a desaprender as formas usuais de satisfação pessoal que dependiam do ser querido e desenvolve novas formas de atender essas necessidades. Dá “adeus” a quem tem sido importante em sua vida e busca novos relacionamentos de apoio. Cuidadores pastorais, nesse estágio, oferecem apoio através de acompanhamento mais prolongado utilizando-se de teorias de crise. A meta é facilitar o enfrentamento da realidade e apoiar na difícil tarefa de reorganizar a vida.

Já durante e quarta fase a pessoa enlutada começa a aprender a ver a perda em perspectiva, isto é, com maior realismo e distanciamento emocional. Com a iluminação da fé adquire experiência, maior conhecimento e encontra sentido no viver. O cuidado nessa fase visa facilitar o amadurecimento na fé e na experiência cristã.

Finalmente, a quinta fase é vivida no apoio a outros que vivem experiência semelhante. Tarefa pastoral é a capacitação para esse ministério das comunidades de fé.

*Esse resumo é adaptado de CLINEBELL, Howard. Aconselhamento pastoral: modelo centrado em crescimento e libertação. 4. Ed. São Leopoldo: Sinodal, 2007.

Ronaldo Sathler-Rosa

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