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"O cuidar é universalmente humano. Ninguém pode cuidar de si mesmo em todas as situações. Ninguém pode, até mesmo, falar a si próprio sem que lhe tivesse sido falado por outrem" (Paul Tillich).


19 de janeiro de 2012

EDUCAR-SE PARA EDUCAR

Acompanhar a formação pessoal e humana de crianças, adolescentes e jovens é tarefa que exige atenção e conhecimento. Essa atividade consiste em um dinâmico processo de educar. Esse processo deve direcionar escolhas futuras, capacita a pessoa a lidar com crises existenciais, mobiliza recursos internos e externos para suportar sofrimentos, enseja o pensar e agir no mundo.

A importância desse trabalho demanda dos que dele participam dois requisitos essenciais: sabedoria e conhecimento.

Primeiro, requer sabedoria. Aqui entendida como prudência, uso da razão, diálogo, cuidado com a linguagem, paciência. Exige, também, uma compreensão madura do sentido que confere à sua vida. Compreensão essa que supere noções superficiais popularizadas por “ídolos” da TV, fabricados por interesses financeiros de grandes corporações.

Quem convive, informal ou formalmente, com a infância e a juventude, queira ou não, educa ou deseduca através do significado que concede à sua vida e das atitudes que lhe correspondem. Implica, portanto, em conhecimento de si mesmo e compreensão crítica do mundo em que vive. Outros ingredientes incluem atitudes e coragem para opor-se a práticas e políticas públicas que neguem princípios de cuidado mútuo e respeito à vida.

A dimensão política da ação educativa exprime-se, entre outros modos, no combate contínuo ao descaso público por condições mais decentes de vida, especialmente nas grandes cidades. A formação humana interage, positiva ou negativamente, com o meio social onde ocorre.

Segundo, requer conhecimento sobre as etapas do desenvolvimento da personalidade. Ademais, é necessária certa compreensão crítica dos fatos que marcam as sociedades atuais e sua influência sobre comportamentos.  Pressupõe, portanto, o contínuo movimento de preparo e educação para tornar, a si mesmo e aquelas pessoas de seu círculo de influência, em pessoas cada vez melhores.

Embora as diversas e tradicionais teorias da personalidade estejam sujeitas a revisão e a atualizações, notadamente por estudos recentes de antropologia cultural, aquelas teorias ajudam a mapear, não a delinear  completamente, a trajetória do desenvolvimento do ser humano.

Esse conhecimento se transforma em ferramenta útil para seguirmos conhecida orientação bíblica: “E vós, pais, não deis a vossos filhos motivo de revolta contra vós...” (Bíblia de Jerusalém, Efésios 6.4).

Voltaremos ao assunto. 

Ronaldo Sathler-Rosa

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São Bernardo do Campo, São Paulo, Brazil